sábado, 19 de fevereiro de 2011

TDA e TDAH

Mas o que é"Que criança agitada!!", " Ela não pára sentada...","Mas a gente fala com ela e parece que está no mundo-da-lua...", "essa criança está ligada no 220V?!!", " Ele não consegue aprender nada na escola." Perguntas e afirmativas como estas e muitas outras, fazem parte da vida de  crianças com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.


Mas o que é esse transtorno? 
É uma alteração neurobiológica, de causas genéticas, que aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda vida. Ocorre entre 3 a 5% das crianças e se caracteriza por sintomas de desatenção,inquietude e impulsividade.
Tradicionalmente  o TDAH se caracteriza por uma combinação de dois tipos de sintomas: a desatenção e hiperatividade-impulsividade. Pelo fato de algumas crianças apresentarem problemas de atenção, mas não serem hiperativas a APA ( American Psychiatric Association) criou em 1980 dois subtipos de transtornos de atenção (TDA): o TDA com e sem hiperatividade. Em 1994, o DSM-IV publicou subtipos, incluindo agora três tipos predominantes:
Hiperativo-impulsivo
Desatento
Combinado
Entretanto se usa o termo TDAH para se referir a todos os subtipos. Principais carcterísticas:


Tipo Hiperativo-impulsivo


  • inquietação (mexer mãos/pés quando sentado, musculatura tensa, não fica parado em um lugar)
  •  Faz várias coisas ao mesmo tempo, pode falar, comer, comprar...compulsivamente. 
  • São ansiosos, estressados e impacientes, quer tudo para "ontem". 
  • Têm tendências a vícios com jogos. 
  • Interrompe a fala dos outros pela sua impaciência. 
  • Tem baixo nível de tolerância não sabendo lidar com frustrações e erros. 
  • Apresentam instabilidade de humor e dificuldade de se expressar ( palavras não acompanham a velocidade da sua mente).
  •  Fala ou faz e depois pensa, o que causa situações constrangedoras. 
  • Temperamento explosivo não suportando críticas, provocações e/ou rejeição.
  •  Rompe com certa facilidade relacionamentos sociais e/ou afetivos.
  • Hipersensibilidade com tendência ao desespero incapacitando-o a lidar com a realidade e buscar soluções.




Tipo Desatento
  • Desvia facilmente a atenção do que está fazendo distraindo-se com seus próprios devaneios ou por um simples estímulo externo, levando-o a cometer erros.
  • Dificuldade de concentração em aulas, apresentações, leitura de livros (que dificilmente chega ao término da leitura)
  • Parece não ouvir quando o chamam (é tido como desinteressado ou egoísta)
  • Distrai-se durante conversa principalmente quando está em grupo captando apenas partes do assunto, outras enquanto "ouve" já está pensando em outra coisa e interrompe a fala do outro.
  • Reluta em iniciar tarefas que exijam longo esforço mental.
  • Dificuldade em seguir instruções (iniciar, realizar,completar e só então passar para outra atividade) muitas vezes sendo visto como irresponsável.
  • Dificulades em organizar-se com objetos ( gavetas, papéis, mesa, arquivos...) e com planejamento de tempo
  • Dificuldade em organizar-se com objetos (mesa, gavetas, arquivos, papéis...) e com o planejamento do tempo (costuma achar que é 10 e que o dia tem 48h). 
  • Problemas de memória a curto prazo: perde ou esquece objetos, nomes, prazos, datas... Durante uma fala, pode ocorrer um “branco” e a pessoa esquecer o que ia dizer.


Características do Tipo Combinado



Apresenta as características combinadas de desatenção, hiperatividade e impulsividade.



O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória (são muito esquecidos). São inquietos (parece que só relaxam dormindo), vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos ("colocam os carros na frente dos bois"). Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isto afeta os demais à sua volta. São freqüentemente considerados “egoístas”. Eles têm uma grande freqüência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.


O tratamento gira em torno da TCC- Terapia cognitivo-comportamental juntamente com a fonoaudiologia, uma vez que os portadores tanto de TDA quanto de TDAH rotineiramente apresentam alterações na aprendizagem.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dislalia, quando a língua não obedece.




O QUE É?
É o transtorno de linguagem mais comum em crianças e o mais fácil de identificar. 
A dislalia é um distúrbio da fala que se caracteriza pela dificuldade de articular os fonemas, ou seja, as palavras são pronunciadas de maneira errada, omitindo, transpondo, trocando, distorcendo ou acrescentando fonemas ou sílabas a elas.
A dislalia pode interferir na socialização da criança, que fica com vergonha de sua fala, o que pode levar a outra alteração bem conhecida, a gagueira. E também pode interferir no aprendizado da escrita tal como ocorre na fala.

PORQUE ACONTECE?
A maioria dos casos ocorre na primeira infância, quando a criança está aprendendo a falar. Neste momento, os fatores emocionais como separação dos pais, convivência com pessoas que apresentam o mesmo problema e que a criança tenha certa afinidade, ciúme de irmão  mais novo, necessidade de chamar atenção; e hábitos viciosos como uso de chupetas e mamadeiras e chupar dedo são as principais causas.
Outras causas são: problemas orgânicos, quando há má formação ou anomalias nos órgãos da fala, problemas auditivos como a surdez e alterações do processamento auditivo central, onde a criança ouve normalmente, mas não processa a informação auditiva.

QUANDO COMEÇA A SE MANIFESTAR?
Ao desenvolvimento normal da linguagem da criança, admite-se erros na pronúncia até os 4 anos. Mas, como prevenir é melhor do que remediar, uma criança que apresenta  erros aos 3 anos e 6 meses por exemplo, necessita de uma avaliação do fonoaudiólogo e estimulação da fala correta de acordo com o grau e a quantidade de fonemas alterados. Por exemplo, uma criança que nessa idade fala "tota-tola"  ao invés de "coca-cola" pode ser acompanhada e estimulada e ter a alteração contornada antes do processo de alfabetização.

O QUE FAZER?
Primeiramente é fundamental não apoiar a fala da criança, achando "engraçadinho" o modo como ela fala reproduzindo-a, mas dar o modelo correto. E se a alteração persistir deve marcar consulta para avaliação do fonoaudiólogo, que é o profissional capacitado para tratar.

Dra. Danielle Fraguito
Crefono 9908

Fonoaudiologia